14/04/2026

Listar ou não listar, eis a questão

Parece que tem uns cantos da internet que não aderem tanto à ideia de listas.

Em meus passeios pela “grande rede digital” eu me deparo com comentários mencionando coisas como:

"Affe, uma lista? Sério que o canal de vocês chegou a um ponto tão baixo?"

Logo estranhei, porque eu sempre curti listas estilo Top 10 e afins. Antes mesmo delas virarem modinha e terem canais dedicados a elas, como o GameRanx (que eu gosto bastante) e o WatchMojo (esse eu já não curto tanto).

Os primeiros canais do YouTube que eu acompanhei de forma consistente, há quase 20 anos lá nos primórdios da plataforma, postavam listas de vez em quando. E antes deles, tinha os sites que postavam listas por escrito, as revistas e até mesmo os programas de TV, como Top Top MTV e Animal Planet ao Extremo. E quem nunca esperou pra ouvir as músicas mais tocadas da semana na rádio ou coisa assim?

(Eu sei quem: a geração que começou quando ouvir música em rádio já não era algo relevante!)

Por isso, listas sempre fizeram parte da minha vida. Eu mesmo criei listas nas várias mídias para as quais já fiz conteúdo: YouTube, Twitch, Instagram e sites por aí afora. Então fui pego de surpresa ao saber que não somente as listas não estão mais em alta, como uma grande parcela de gente encara elas com desdém.

Eu sei que, pra cada coisa que existe nesse planeta Terra, sempre vai ter alguém que não vai gostar de tal coisa. Porém os argumentos que algumas pessoas lançam são meio… questionáveis, nesse caso específico. Por exemplo:

"Listas são um conteúdo muito baixo/tosco/lixo/fácil de consumir."

Eu entendo o que querem dizer aqui. Eu sou contra, por exemplo, toda essa Tiktokização (por falta de uma palavra melhor) do entretenimento, dividindo tudo em vídeos curtinhos que não agregam muito. Listas podem sim ser comparadas a isso - e as que eu pretendo escrever aqui pro blog não devem ser longas, pra facilitar a sua vida e a minha.

E claro, tem muita lista que era puro clickbait. Só que esses materiais ainda seriam clickbait mesmo se não fossem no formato listado, por causa da maneira sensacionalista em que eram escritos.

No entanto, eu não acho que deixar algo mais simples de digerir seja um problema. Pelo contrário, isso pode ser até uma boa questão de acessibilidade a ser considerada. Pra mim, o problema nesses casos não é a duração nem o formato do conteúdo, mas sim o conteúdo em si. O que me remete ao próximo argumento:

"Listas implicam que você conhece tuuudo sobre um tema! Você não pode dizer quais os 10 melhores filmes se você não assistiu tooodos os filmes!"

Ah, as pessoas que se esqueceram do que a maior parte das listas é feita: opiniões! Claro que existem listas com fatos, como por exemplo os jogos com as maiores notas de 2025 no Metacritic, ou os mais vendidos, ou os mais custosos etc.

Mas quando se trata de uma lista dos melhores alguma coisa, o pessoal se esquece que opiniões são pessoais. Que nenhuma opinião é absoluta. Que alguém dá suas opiniões baseado no que conhece, e algumas pessoas inclusive buscam se aprofundar em uma área específica para dar opiniões mais “válidas” sobre ela. E que você não precisa sequer concordar com uma lista quando vê uma!

As próprias pessoas encarregadas de fazerem listas como sua profissão não conhecem tudo que existe sobre um tema, mesmo que haja muita pesquisa envolvida. O pessoal que dá premios em cerimônias como o Oscar, Grammy ou The Game Awards não assistiu/ouviu/jogou tudo que há pra consumir naquelas áreas - e mesmo assim tem quem leva essas premiações a sério.

E é por esse tipo de coisa que eu digo que as listas feitas por mim são “Top 5 jogos favoritos de tiro” ao invés de apenas “Top 5 jogos de tiro”, pra deixar mais pessoal. Enfim, próximo argumento:

"Por que eu deveria ver uma lista sua? Quem é você na fila do pão? Por acaso é alguma autoridade no assunto?"

Olha… primeiramente, se você só for respeitar listas de “autoridades no assunto”, seu repertório vai ficar bem limitado. Mas se é isso que você quer, tudo bem. Existem críticos renomados e respeitados em todos os campos - eu não sou um deles… mas tenho conhecimento significante sobre vários gêneros de games e sobre os assuntos que escrevo aqui, pelo menos.

E embora minhas opiniões sempre foram meio diferentonas da maioria das pessoas, eu tô aqui pra me manifestar sobre elas, sim. Posso não ser um [insira seu especialista favorito aqui] mas você pode pelo menos encarar minhas listagens como itens interessantes a conhecer, que tal?

Em suma: o A Gente Joga o Que Pode tá sendo um recomeço pra mim. Um passo em direção a algo novo, porém familiar, para eu me expressar. E como falei lá no começo, eu sempre gostei de me expressar com listas.

Essas opiniões que tentei imitar aqui até me fizeram questionar se eu devia colocar listas no blog, sob o “risco” de ele não ser levado a sério. Mas se nem a vida devia ser tão levada a sério assim, porque o meu blog seria?

Então pra essas pessoas eu poderia mandar um grande DANE-SE mas ao invés disso, vou simplesmente dizer que caso não goste de listas, é só seguir pra próxima postagem. Vai ter muito pra ler aqui, mesmo se você pular todas as listas.

Mas como eu adoro elas, o meu próximo artigo vai ser uma lista, só de raiva! ...quer dizer, só pra continuar produzindo o conteúdo que eu quero!

06/04/2026

Habemus newsletter!

Aos poucos eu vou ajeitando as coisas aqui no blog, e a mais recente novidade é a newsletter!

Criei uma página só pra ela com todos os detalhes; por favor dá uma olhada. Quando já tiver um certo número de inscrições, eu vou saber que existe gente interessada em ver o que tenho pra recomendar. Aí então eu começo a mandar esses conteúdos especiais por e-mail.

Até lá, bora se inscrever!

02/04/2026

Google fez VideoGamer.com ir de arrasta pra cima

Crédito: VideoGamer.com, com "edição" feita por mim 

No primeiro post deste blog, eu falei de um review de Resident Evil Requiem totalmente feito por IA. Ele saiu do site VideoGamer.com, e quando fui pesquisar de novo esse site pra ver umas coisas, ele não apareceu nos resultados do Google.

Isso está acontecendo por um bom motivo. O site mudou sua forma de gerar conteúdo, que agora é quase que exclusivamente por IA, segundo um relato do TheGamer.com (esses sites com nomes parecidos, vou te contar... por favor não confundam os dois).

Então casos como o review de RE que mencionei antes não são isolados. O VideoGamer.com foi recentemente adquirido por uma tal ClickOut Media, empresa focada em... jogos de apostas. Pois é. E pouco depois da aquisição, muitos dos editores do site saíram da equipe, ou foram mandados embora, para que a produção ficasse por conta das máquinas.

A ClickOut Media também adquiriu outros sites, como The Escapist. Esse se trata de uma das antigas grandes publicações (na internet, pelo menos) no que diz respeito a conteúdo de games, em mídia escrita e vídeo. The Escapist possuía talentos como Yahtzee Croshaw e Nick Calandra (caso você não conheça esses nomes, um dia eu falo deles apropriadamente aqui).

Mas o antigo dono do site, o grupo Gamurs, achou que podia se virar sem este último talento e fez uma demissão desnecessária - o que resultou numa bola de neve grande demais pra eu contar nesse artigo. Como falei antes, isso fica pra outro momento.

O que importa é que o canal do The Escapist no YouTube, sob a nova direção e sem o pessoal que fazia aquele conteúdo ser o que era, se degenerou a ponto de trazer unicamente vídeos de jogos de apostas e coisas feitas toscamente por inteligência artificial.

Aparentemente o padrão se repete aqui com o VideoGamer.com. Até recentemente, ele se anunciava como um site especializado em "jogos e cassino", ou algo assim. Digo isso porque, com esse escândalo recente, o subtítulo do site foi misteriosamente removido... assim como os vídeos de apostas do The Escapist. Curioso, eu diria. 

Mas o Google não tolerou muito isso. Após o site de games pivotar para esse modelo conduzido por conteúdo de IA, ele parou de ser mostrado nos resultados de pesquisa. Eu mesmo tive que digitar o endereço do site pra acessar ele, porque pesquisando, ele não apareceu. Onde já se viu?

Na minha opinião: bem feito. Entre as coisas que eu não suporto estão bets, demissões em massa, e substituição desnecessária de humanos por IA. Esse site conseguiu os três strikes de uma só vez, parabéns! Talvez eu devesse mudar o título do post para "A dona do VideoGamer.com fez o site ir de arrasta pra cima"...

Torço, meio que em vão, para que o site possa ser adquirido por alguém com consciência e voltar a trazer mídia de jogos pelo menos decente. Porque caso contrário, sob essa direção, ele está condenado a ser esquecido não só pelo Google, mas por todo mundo.

E assim como The Escapist depois de ser corrompido, não fará a menor falta.

PS: ClickOut Media? Tá mais pra "Click Out of this site" (Clicar pra fora desse site), não é mesmo?

28/03/2026

Um blog de games? Nessa economia?


Estava eu, todo animado em meus passeios pela internet, vendo novidades sobre uma série que eu gosto um tanto: Resident Evil. Embora eu só tenha terminado uns 3 jogos dessa franquia, eu acompanhei boa parte dos títulos dela e pretendo jogar muitos deles ainda, incluindo a mais recente novidade: Resident Evil Requiem.

Esse novo sucesso da série RE saiu há pouco mais de um mês, e devo dizer que estou contente por saber que ele tá sendo bem recebido demais. Mesmo com tanto hype envolvendo as semanas antes do lançamento, ele parece agradar a praticamente todo mundo que me comentou sobre o jogo.


Mas esse review dele me chamou a atenção:


Crédito: videogamer.com. Link do review


Isso porque a pessoa que escreveu ele não existe.

Um review feito por uma "pessoa" cuja descrição, foto e perfil no Twitter são inteiramente artificiais. Isso já é comum no YouTube, onde temos vídeos feitos por robôs, roteirizados e narrados por robôs, consumidos por robôs, com comentários deixados por robôs.

A inteligência artificial mudou vários aspectos da nossa rotina, do trabalho ao pessoal. E ela não vai a lugar algum, então bora se acostumar.

Um canal que eu acompanho, o Kyle Bosman, recebe comentários recorrentes como "[O host do canal] analisando essas notícias como se elas ainda fossem escritas por humanos é tão nostálgico" (em tradução adaptada).



Em uma realidade onde podemos ter, por exemplo, análises de produtos feitas de forma instantânea, e sem sequer depender de um ser humano utilizar o produto pra isso, ter vontade de escrever é quase que ir contra a maré.

Porém eu decidi manter viva a arte da (minha) escrita.

Mesmo que na vida atual eu tenha que usar IA para várias coisas, quero continuar exercitando a aptidão com redação de alguma forma. Eu possuo duas habilidades que vão se tornando cada vez menos úteis, mas que apesar disso, eu pretendo manter: utilização razoavelmente decente de palavras e muito conhecimento aleatório sobre videogame.


Então a forma de eu exercitar isso tudo vai ser este blog!


Aqui eu vou postar análises, listas, comentários, recomendações, ensaios, divagações e tudo mais que me der na telha, a respeito de jogos. Além disso, eu tô aprendendo Markdown e o blog é um ótimo lugar pra eu praticar essas novas capacidades.

Eu ainda estou ajeitando as coisas aqui, então em breve vai ter newsletter periódica, RSS pra você ficar por dentro das novidades, e tudo mais. Uma coisa de cada vez.

Talvez isso seja pedir demais hoje em dia. Quer dizer, eu tô esperando que as pessoas:

  • Acessem um site pra ver conteúdo, não recebendo ele via redes sociais;
  • Leiam esse conteúdo, ao invés de ouvirem ele ou assistirem em vídeos;
  • Usem um e-mail pra receber novidades. Quem quer usar e-mail pra assuntos não-profissionais em pleno 2026?

A real é que eu já fiz tanto tipo de conteúdo... e já cansei de quase todos eles. Quase. Mas a vontade de criar algo e de falar sobre jogos não foi embora.


E depois de passar muito tempo fazendo conteúdo de todas essas maneiras, eu decidi que prefiro algo mais "limpo". Em outras palavras:

  • Sem depender de algoritmo;
  • Sem me preocupar com engajamento;
  • Sem postar com frequência pra manter a relevância;
  • Sem conteúdo que desaparece em 24h;
  • Sem elaborar algo que some pra sempre assim que alguém rola a tela pra cima;
  • Sem FOMO (Medo de Ficar de Fora);
  • Sem validar aprovação via curtidas;
  • Sem postagem rasa só pra preencher cronograma;
  • Sem você precisar ficar de olho o tempo todo, pra ver o que não se perde num mar de outros posts. 

Saúde mental é algo que eu trato com prioridade máxima, e ao contrário de certas outras redes aí, o blog vai me ajudar com isso.


Então, caso queira acompanhar o que eu tenho pra dizer, incluindo indicações de jogos sensacionais menos conhecidos - e caso você tope fazer isso de uma maneira mais raiz - dá uma passada por aqui de vez em quando! Até o próximo post!