Parece que tem uns cantos da internet que não aderem tanto à ideia de listas.
Em meus passeios pela “grande rede digital” eu me deparo com comentários mencionando coisas como:
"Affe, uma lista? Sério que o canal de vocês chegou a um ponto tão baixo?"
Logo estranhei, porque eu sempre curti listas estilo Top 10 e afins. Antes mesmo delas virarem modinha e terem canais dedicados a elas, como o GameRanx (que eu gosto bastante) e o WatchMojo (esse eu já não curto tanto).
Os primeiros canais do YouTube que eu acompanhei de forma consistente, há quase 20 anos lá nos primórdios da plataforma, postavam listas de vez em quando. E antes deles, tinha os sites que postavam listas por escrito, as revistas e até mesmo os programas de TV, como Top Top MTV e Animal Planet ao Extremo. E quem nunca esperou pra ouvir as músicas mais tocadas da semana na rádio ou coisa assim?
(Eu sei quem: a geração que começou quando ouvir música em rádio já não era algo relevante!)
Por isso, listas sempre fizeram parte da minha vida. Eu mesmo criei listas nas várias mídias para as quais já fiz conteúdo: YouTube, Twitch, Instagram e sites por aí afora. Então fui pego de surpresa ao saber que não somente as listas não estão mais em alta, como uma grande parcela de gente encara elas com desdém.
Eu sei que, pra cada coisa que existe nesse planeta Terra, sempre vai ter alguém que não vai gostar de tal coisa. Porém os argumentos que algumas pessoas lançam são meio… questionáveis, nesse caso específico. Por exemplo:
"Listas são um conteúdo muito baixo/tosco/lixo/fácil de consumir."
Eu entendo o que querem dizer aqui. Eu sou contra, por exemplo, toda essa Tiktokização (por falta de uma palavra melhor) do entretenimento, dividindo tudo em vídeos curtinhos que não agregam muito. Listas podem sim ser comparadas a isso - e as que eu pretendo escrever aqui pro blog não devem ser longas, pra facilitar a sua vida e a minha.
E claro, tem muita lista que era puro clickbait. Só que esses materiais ainda seriam clickbait mesmo se não fossem no formato listado, por causa da maneira sensacionalista em que eram escritos.
No entanto, eu não acho que deixar algo mais simples de digerir seja um problema. Pelo contrário, isso pode ser até uma boa questão de acessibilidade a ser considerada. Pra mim, o problema nesses casos não é a duração nem o formato do conteúdo, mas sim o conteúdo em si. O que me remete ao próximo argumento:
"Listas implicam que você conhece tuuudo sobre um tema! Você não pode dizer quais os 10 melhores filmes se você não assistiu tooodos os filmes!"
Ah, as pessoas que se esqueceram do que a maior parte das listas é feita: opiniões! Claro que existem listas com fatos, como por exemplo os jogos com as maiores notas de 2025 no Metacritic, ou os mais vendidos, ou os mais custosos etc.
Mas quando se trata de uma lista dos melhores alguma coisa, o pessoal se esquece que opiniões são pessoais. Que nenhuma opinião é absoluta. Que alguém dá suas opiniões baseado no que conhece, e algumas pessoas inclusive buscam se aprofundar em uma área específica para dar opiniões mais “válidas” sobre ela. E que você não precisa sequer concordar com uma lista quando vê uma!
As próprias pessoas encarregadas de fazerem listas como sua profissão não conhecem tudo que existe sobre um tema, mesmo que haja muita pesquisa envolvida. O pessoal que dá premios em cerimônias como o Oscar, Grammy ou The Game Awards não assistiu/ouviu/jogou tudo que há pra consumir naquelas áreas - e mesmo assim tem quem leva essas premiações a sério.
E é por esse tipo de coisa que eu digo que as listas feitas por mim são “Top 5 jogos favoritos de tiro” ao invés de apenas “Top 5 jogos de tiro”, pra deixar mais pessoal. Enfim, próximo argumento:
"Por que eu deveria ver uma lista sua? Quem é você na fila do pão? Por acaso é alguma autoridade no assunto?"
Olha… primeiramente, se você só for respeitar listas de “autoridades no assunto”, seu repertório vai ficar bem limitado. Mas se é isso que você quer, tudo bem. Existem críticos renomados e respeitados em todos os campos - eu não sou um deles… mas tenho conhecimento significante sobre vários gêneros de games e sobre os assuntos que escrevo aqui, pelo menos.
E embora minhas opiniões sempre foram meio diferentonas da maioria das pessoas, eu tô aqui pra me manifestar sobre elas, sim. Posso não ser um [insira seu especialista favorito aqui] mas você pode pelo menos encarar minhas listagens como itens interessantes a conhecer, que tal?
Em suma: o A Gente Joga o Que Pode tá sendo um recomeço pra mim. Um passo em direção a algo novo, porém familiar, para eu me expressar. E como falei lá no começo, eu sempre gostei de me expressar com listas.
Essas opiniões que tentei imitar aqui até me fizeram questionar se eu devia colocar listas no blog, sob o “risco” de ele não ser levado a sério. Mas se nem a vida devia ser tão levada a sério assim, porque o meu blog seria?
Então pra essas pessoas eu poderia mandar um grande DANE-SE mas ao invés disso, vou simplesmente dizer que caso não goste de listas, é só seguir pra próxima postagem. Vai ter muito pra ler aqui, mesmo se você pular todas as listas.
Mas como eu adoro elas, o meu próximo artigo vai ser uma lista, só de raiva! ...quer dizer, só pra continuar produzindo o conteúdo que eu quero!